Equador sob estado de exceção

10 de novembro de 2010

Não é de hoje que o Equador vem enfrentando problemas de instabilidade política. Com 14 milhões de habitantes, o país já havia deposto, através de protestos, três presidentes em meio a crises econômicas na última década.

Após uma tentativa do atual governante, Rafael Correa, de implantar uma medida que reduziria os bônus, ganhos e incentivos de funcionários públicos, grande parte dos quadros da Polícia Nacional se revoltou e foi às ruas, invadindo os principais quartéis e aeroportos de Quito e até mesmo o Congresso. Entretanto, a cúpula militar e todos os integrantes do governo garantiram que permanecerão fiéis ao governo vigente.

Ao visitar o principal quartel rebelado, Correa, após um tenso discurso, sofreu ataques de bombas de gás lacrimogênio, onde acabou ferido e foi levado a um hospital. “É claríssimo de onde vem essa tentativa desestabilizadora”, disse, acusando os opositores de um golpe de estado. Diante dos acontecimentos, no dia 30 de setembro, o ministro de Segurança Interna, Miguel Carvajal, declarou Estado de Exceção.

Presidente sendo carregado após atentado

A partir disso, o objetivo do presidente era abolir os direitos básicos do corpo policial para que a ordem fosse restabelecida, o que fez com que as Forças Armadas fossem encarregadas de exercer a função da polícia.

Contudo, em meio a uma situação de emergência nacional, o Estado de Exceção define que os cidadãos tenham seus direitos, definidos pela Constituição, revogados e que a concentração do poder se aproxime a de um Estado de regime totalitário. Assim, cada indivíduo se submete à condição de vida nua. Escolas tiveram suas aulas suspensas; trabalhadores foram mandados para suas casas e pelo menos dois bancos, um posto de gasolina e um mercado da cidade de Guayaquil foram saqueados. A possibilidade de uma crise econômica maior por conta de que saques bancários de grande valor possam ser feitos também preocupa o presidente do Banco Central, Diego Borja. Além disso, há o risco de que os cidadãos sejam assaltados.

Simpatizante de Correa detido por policiais

 Apesar de, incialmente, a medida ter sido definida para o prazo de uma semana, este foi prorrogado para uma data indefinida. Ainda não são previstas possibilidades de resolução do conflito que assola a nação equatoriana.